segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A Menina Submersa de Caitlín R. Kiernan


Avaliação:   | 320 páginas; Editora DarkSide

Esse é um livro tão diferente, que até resumi-lo é difícil. A sinopse não dos diz muito, mas eu imaginava que se tratava de uma história de fantasia e estava empolgada para ler. Tentei não criar expectativas demais, justamente porque eu não fazia ideia da história. Quando comecei a ler fiquei surpresa, porque estava muito longe de ser o que eu imaginava.
A protagonista se chama India, mais conhecida pelo apelido Imp, e ela não só narra como escreve a história, sua própria história. Sua intenção é exorcizar seus fantasmas; em outras palavras, desabafar para se livrar do peso daquilo que a incomoda. Um detalhe muito importante, porém, é que Imp é esquizofrênica, assim como foi sua mãe e sua avó, ambas suicidas.
Tendo isso estabelecido logo no início, segui a vibe da história sem me preocupar com o que era real ou imaginação, já que o tempo todo isso é confundido. Eu adoro um narrador não confiável e me entreguei ao fato de que eu não precisava procurar sentido no que ela dizia ou no que aparentemente acontecia.
Os momentos de que mais gostei foram os que envolviam Abalyn, a transsexual que Imp conhece e por quem se apaixona. Abalyn é uma personagem carismática, não só por sua história complicada de vida, mas porque ela tem um bom coração (e faz resenhas de jogos de videogame, adorei isso). É uma garota com muita personalidade e as duas formam um casal interessante.
Uma coisinha que me incomodou demais foi a repetição insana dos "quero dizer" de Imp. Alguns momentos ela realmente precisava retomar o que havia acabado de dizer para ser mais específica, mas na maioria esmagadora das vezes não havia necessidade e era muito irritante. 
O livro é repleto de referências a obras de arte (além de escritora, Imp é pintora), músicas, literatura e outras coisas mais. Particularmente acho isso fantástico e pesquisei tudo que era mencionado ao longo do livro.
No entanto, depois de um tempo, comecei a me cansar. Primeiro porque os capítulos são muito longos e eu detesto isso. Para mim, isso destrói o ritmo da leitura e algumas vezes fui obrigada a parar no meio de um (detesto fazer isso). Segundo porque toda aquela loucura e referências estavam me soando um pouco despropositadas. A autora queria criar um enredo que confundisse o leitor a ponto de ele não saber o que é real e o que é imaginação, mas ela chegou a um ponto do abstrato, que eu não conseguia mais entender sua intenção. O capítulo sete foi o ápice para mim, porque é justamente um trecho escrito em uma das crises de loucura de Imp. E quando você lê sem compreender nada do que está lendo, vira leitura automática. Confesso que eu mal via a hora desse livro acabar, porque a única coisa que eu queria saber era se a história tinha um objetivo.
De fato houve uma certa conclusão, mesmo que sem maiores explicações. Há uma ou outra pista mínima, mas eu não estava preocupada em saber o que era real. Eu só queria que aquelas 300 páginas não fossem uma enrolação em vão. Meu ânimo com o livro despencou totalmente da metade pro fim, infelizmente.
Apesar de já achar a edição de capa normal linda (sempre achei a foto muito instigante, ela combina bem com o clima da história), eu fiquei completamente apaixonada pela de capa dura e comprei ela. O trabalho da DarkSide já é famoso por ser impecável e lindíssimo (queria muito que o marcador de fita, embutido, fosse comum em todos os livros; é muito útil). Se a história valeu apenas pela metade, o livro em si valeu como uma obra de arte e item de colecionador.

5 comentários:

  1. Oi Aline,

    É, a leitura de "A Menina Submersa" é meio complicada mesmo. Eu li e falei um pouco sobre a minha opinião aqui, se quiser ler: http://perplexidadesilencio.blogspot.com.br/2015/08/ja-li-5.html

    Eu acho que o maior problema deste livro é a expectativa que ele cria na sinopse. Eu, pelo menos, me interessei em ler porque falava que o livro tinha uma dose de fantasia, e fiquei frustrada quando percebi que não era fantasia, e sim, a loucura da Imp.

    Demorei para retomar o ritmo do livro depois do primeiro surto de loucura dela. Depois que eu entendi melhor o livro e o propósito da escritora, acabei gostando, mas assim que eu fechei o livro, não tinha gostado. Precisei digerir e esperar passar umas duas semanas para formar uma opinião sobre ele.

    E, bom, a Dark Side é puro amor. <3

    Beijos e sucesso.
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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    1. A sinopse engana mesmo. Eu também me interessei por achar que fosse algo super fantástico, com criaturas místicas e etc, mas mesmo depois de descobrir que não era isso, eu continuei interessada.
      Eu também levei um tempo para escrever a resenha, viu.

      Obrigada pelo comentário (:

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  2. Oláá, tudo bem??
    Eu sou mega curiosa para ler A Menina Submersa e o livro Noiva Fantasma da DarkSide, eles são lacradores né?! <3
    Amei a resenha, amei o fato do livro ter referências de obras de arte, sou fascinada por arte principalmente artes plásticas e isso me deixou ainda mais curiosa, apesar de você ter citado alguns pontos negativos. hehe
    Bjoos

    Jovem Literário

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    1. Eu quero MUITO ler A Noiva Fantasma! Aquela sinopse é instigante demais, não é?! hahaha
      Como estudando de Artes, também achei as referências ótimas! Descobri vários artistas que eu não conhecia, isso é sempre bom.
      É um livro tão singular, talvez você goste (:
      Beijos!

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  3. Olá Aline, gostei muito da resenha e adorei seu blog, tem um design bem bonito, parabéns pelo seu trabalho.

    Abraços

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