segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas de Raphael Draccon


Avaliação:  | 440 páginas; Editora LeYa

Dragões de Éter é uma trilogia nacional de fantasia e somente por isso eu já teria algum interesse. A história se passa em um universo chamado Nova Éter, um lugar com semideuses, filhos do Criador, em forma de fadas. Nesse mundo nós conhecemos e acompanhamos diversos personagens, a maioria reconhecíveis por serem de famosos contos de fadas. E esse foi o maior motivo que me levou a querer ler este livro. Ele já estava há um tempo na minha prateleira, esperando ser lido, e eu finalmente o peguei.
Neste primeiro livro, Caçadores de Bruxas, nos é dito que neste mundo, as mulheres conseguem aprender magia com as fadas. E, como tudo no mundo, há aquelas que a usam para o bem e aquelas que a usam para o mal. No entanto, somente as próprias bruxas sabem da existência da magia branca e negra. Para a população e, principalmente, para o rei, todas as bruxas eram malignas e, portanto, ocorreu anos antes uma enorme caça às bruxas, na qual milhares de mulheres foram assassinadas. É essa premissa que segue a maior parte do livro.
Logo no começo dele eu já fiquei incomodada. O narrador não é simples observador, mas também não é personagem - pelo menos não um que apareça nesse livro -; ele conversa com o leitor o tempo todo. Eu, particularmente, adoro narradores assim. Nesse caso, foi irritante. Sabe quando uma pessoa está te contando uma história, mas a todo instante ela tem de pausar para contar algo relevante para continuar, que ela tinha esquecido de dizer? É exatamente essa a sensação. O narrador vai e volta por entre milhares de personagens, sem apresentar eles a fundo direito, sempre dizendo "mas ainda não é hora de falar sobre isso". Então por que raios você comentou?! Deixe para falar sobre esse personagem ou acontecimento quando este se encaixar no momento. Achei a linearidade terrível. Se a história fosse mais complexa, seria confuso.
Pelo menos a partir da metade do livro, já tendo dito tudo o que precisava, o narrador se acalma e a narrativa é bem melhor. O autor escreve bem, apesar de eu ter achado um pouco infantil demais, ainda mais para um livro desse tamanho. Eu esperava algo mais maduro, mas isso não foi bem um problema, apenas uma surpresa. Porém a narrativa é tão completa, que os diálogos perdem a força. Não todos, mas grande parte me soou um pouco boba, sem necessidade. Eles possuem um tanto de coloquial, característica que eu não gosto, mas se bem usada, não há porque reclamar. Aqui, achei que ficou um pouco superficial, totalmente o contrário da ideia de naturalidade que deveria passar.
Não achei o livro de todo ruim. Aos poucos eu engatei na história - adoro tramas que envolvem bruxaria - e alguns personagens realmente me interessaram e eu tive curiosidade suficiente para continuar lendo. Eu adoro referências, portanto me diverti imensamente ao me deparar com a Chapéuzinho Vermelho, com João e Maria, com o filho do Capitão Gancho, entre outros vários personagens conhecidos. Ainda assim, o príncipe Axel e seu guarda costas, Montanha, foram meus preferidos de todos. A história de vida desses personagens clássicos tem um pouco da original, porém em situações completamente novas e com pontos de vista diferentes. E o autor conseguiu, de fato, criar boas novas versões para todos eles.
Quase terminando o livro, me deu uma canseira. A trama é muito simples para se arrastar por tantas páginas e me vi começando a perder o interesse. Me apressei para terminá-lo logo, antes que minha vontade fosse de simplesmente largá-lo, porque para mim já tinha sido o suficiente. Por esse motivo, não sei se e quando eu lerei os próximos. É ótimo que tenhamos autores nacionais escrevendo fantasia, mas em resumo, achei um livro mediano, com mais fama do que qualidade em si. 


3 comentários:

  1. Estou louca pra ler esse livro. Está no topo da minha lista. Adoro o Raphael, acho ele muito bom! Ótima resenha. :)

    http://anneandcia.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Aline ^^

    Li esse livro há uns dois anos, mas já esqueci de grande parte da história, hahah.
    Então fui ler a resenha que eu mesmo fiz, e lembrei de algumas coisas. Principalmente, de que eu gostei muito, tanto desse livro quanto dos outros dois que o sucedem.

    Lembro que eu gostei do fato de o narrador ser tão informal, mesmo com as ressalvas que você levantou. Acho que essa "tática" do Draccon, aliada aos capítulos curtos, deu uma dinâmica boa à narrativa. Como se o autor tivesse uma história para contar, mas optasse por uma ordem subversiva, revelando pequenos trechos de história, focando em personagens inicialmente desconexos, para só depois revelar um plano mais geral onde tudo se conecta e a história flui mais facilmente.
    Meus personagens favoritos foram o Snail Galford, a Liriel Gabbiani, o Axel Branford e o Montanha. Em contrapartida, a Ariane Narin era extremamente irritante, principalmente na parte inicial do livro.
    Quanto à superficialidade dos personagens, é uma coisa que eu não tinha dado muita atenção na época, mas reconheço que eles são, em sua maioria, bobinhos mesmo... No entanto, sugiro (e deixo meu incentivo) que você leia os outros dois livros - alguns desses personagens são melhor trabalhados e, se me lembro bem (haha), são notáveis alguns amadurecimentos.

    Abraço!

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    1. Achei ele um mau contador de histórias informal e, pelo contrário, achei que isso quebrava muito o ritmo, que no resto do livro é, de fato, fluido.
      Vi pela internet que o Axel sempre está entre os preferidos; acho que ele foi um personagem muito bem pensado e é mais carismático que qualquer outro (sou suspeita, eu adoro um garoto certinho hahaha).
      Não quis dizer que os personagens são superficiais, mas as conversas. O diálogo entre eles é muito "montado" e não acrescenta em nada na história (não TODOS, é claro, mas grande parte).
      Eu acho que vou continuar sim, mas daqui um boooom tempo! hahahaha

      Obrigada pelo comentário!

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