quinta-feira, 26 de junho de 2014

O Lado Mais Sombrio de A. G. Howard


Avaliação: 
[368 páginas; Editora Novo Conceito]

Desde o lançamento estava desejando esse livro. Confesso que não morri de amores por ele, como eu esperava, mas ele não me decepcionou.
Alyssa Gardner, narradora de sua história, tem 15 anos e é tataraneta de Alice Liddell - aquela mesmo, da obra de Lewis Carroll. Todas as mulheres de sua família sofrem com uma doença genética estranha que as faz enlouquecer. A mãe de Alyssa vive no hospício e a garota sente não estar tão longe de ter o mesmo destino, pois já começou a ouvir as plantas e os insetos falarem com ela.
Porém um dia Alyssa descobre que, na verdade, sua família está amaldiçoada; sua mãe não é louca e Wonderland de fato existe. Com a ajuda de Morfeu, um guia excêntrico que parece conhecer Alyssa desde pequena, ela sai em uma jornada através do País das Maravilhas para quebrar a maldição e salvar sua família.
Nem tão por acaso seu melhor amigo e amor platônico, Jeb, acaba indo junto com ela e os dois partem juntos através dos obstáculos e criaturas estranhas de Wonderland, tentando desfazer tudo o que Alice causou em sua passagem pelo País.
A primeira coisa que acho legal apontar é que Alyssa não tem o sobrenome Gardner por acaso; Martin Gardner é um estudioso considerado o maior especialista em Lewis Carroll do mundo.
A segunda coisa que eu queria apontar é que, como em várias outras narrativas, a autora misturou a Rainha de Copas com a Rainha Vermelha. Nesse livro, elas parecem ser a mesma pessoa, quando na verdade são duas personagens totalmente diferentes, inclusive de livros diferentes. A Rainha de Copas é a do baralho, que joga croquet e manda decapitar todo mundo no livro País das Maravilhas. Já a Rainha Vermelha é personagem de Através do Espelho e é a peça de xadrez que direciona Alice pelo "tabuleiro" do mundo em que ela se encontra.
Alyssa, Jeb e Morfeu são os personagens principais, que formam esse triângulo amoroso um tanto estranho. Alyssa e Jeb claramente são apaixonados um pelo outro, mas Morfeu parece estar ali só pra atrapalhar mesmo, pois ele não mostra nada além de um certo amor fraternal pela garota. Muitas vezes a história chegava ao ponto de os dois se enfrentarem por ela e Alyssa ficava apenas de canto, sem agir ou dizer alguma coisa. Isso foi bem esquisito.
Porém o romance entre os dois amigos é lindo, apesar de conturbado. Eu gostei muito de ambos, mas principalmente de Jeb; ele é um personagem diferente da maioria dos pares românticos de protagonistas, a começar por sua aparência e gostos mais alternativos (cabelo comprido, piercing debaixo da boca...). Ele é muito companheiro, leal e um tanto protetor demais, o que irrita em alguns momentos, mas não deixa de ser fofo.
Alyssa deixa um pouco a desejar, pois durante todo o livro ela não faz muita coisa. Quem normalmente resolve os problemas é Morfeu ou mesmo Jeb, isso quando não é outro personagem que surge bem na hora e resolve ajudá-la. Mas não posso tirar o crédito dela no final do livro, pois ela faz algumas escolhas que mudam completamente o desfecho da história. A reviravolta é surpreendente e eu gostei da forma como as coisas terminaram.
Uma coisa que eu estivesse um pouco relutante no começo é a própria Wonderland. A autora se inspirou em Alice no País das Maravilhas, porém modificou uma coisa importante: os principais habitantes desse mundo mágico são de uma raça chamada intraterrenos - justamente o que Morfeu é. Há diversos outros tipos de criaturas nesse universo, mas nenhum deles é, de fato, os personagens do livro de Alice. Por exemplo, o Coelho Branco, na verdade, não é um coelho; é um ser bizarro. Confesso que quando percebi essa mudança toda - já que eu esperava algo muito mais "fiel" ao clássico - não quis aceitar. Ao longo da história aquilo tudo foi fazendo sentido e passou a ser natural.
Algo que me surpreendeu é que a história possui alguns momentos bem sinistros. Há personagens e situações macabros e tensos, algo que ao ser misturado com a loucura da história de Alice, fica incrível (vide os jogos American McGee's Alice e Alice: Madness Returns ♥). Apesar disso, não há nada que vá tirar seu sono. A autora criou esse ambiente sombrio, mas não se aprofundou muito nessa atmosfera, portanto o livro não ficou pesado (como os jogos, por exemplo).
A única coisa que realmente não gostei, e eu não sei se isso é algo da autora ou da tradutora, é que em alguns pontos específicos da escrita, de repente surgia uma frase super elaborada, com palavras inusitadas, para descrever coisas simples. Se o texto inteiro fosse escrito nessa linha, tudo bem. Mas a escrita é "normal" e, do nada, surgiram frases como: "com minha boca drenada de qualquer umidade"; "diáfanos apêndices" e etc. Acho esse tipo de coisa desnecessária e irritante.

Descobri somente depois de ler que esse é o primeiro livro de uma trilogia. O segundo livro, chamado Unhinged será lançado nos EUA em Julho desse ano e o terceiro, Ensnared, em Janeiro de 2015. E as capas são tão lindas quanto essa primeira! Confira no site da autora aqui.

3 comentários:

  1. Eu estou louca para ler esse livro D=
    o namorei varias vezes em sites, mas não tá dando coragem de compra-lo ainda

    allstaresaltoalto.blogspot.com.br

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    1. Não deu coragem por quê? Leia, é muito bom (:

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  2. Uau, a capa desse livro é lindo e estou querendo comprar-lo a algum tempo, sua resenha está ótima, amei o blog, parabéns.

    www.marcasliterarias.blogspot.com.br

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