segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dearly, Departed de Lia Habel

Avaliação: 
[480 páginas; Editora iD]

Dearly, Departed é uma história steampunk repleta de zumbis, que se passa no futuro (alguns anos além de 2187, não me lembro o ano exato). Após uma guerra mundial, o mundo é dividido em Neovitorianos e Punks, duas sociedades muitíssimo diferentes, que vivem em conflito. 
O ambiente criado pela autora é forçado; é muito evidente que ele existe daquela forma específica porque a autora quis assim. A sociedade, ao se reconstruir, decide seguir os padrões vitorianos de vida, de vestimenta a conduta. A explicação que a autora dá para essa estranha escolha é a de a época vitoriana possuir mais registros do que qualquer outra. 
Não fui convencida. Por que uma sociedade futurística, possuidora de tecnologia avançadíssima, recomeçando a vida do zero, escolheria retroceder no tempo culturalmente? É claro que buscariam uma base para reconstruir sua cultura, mas seguir à risca algo tão antigo? A verdade é que a autora é apaixonada pela época vitoriana e ao invés de escrever uma história que se passasse nessa época, mas com tecnologia avançada, preferiu inventar uma sociedade futurística neovitoriana. Uma ideia fraca, que não deu certo. O leitor precisa crer naquilo que está lendo, como se realmente fosse possível e existisse. Algo que esse livro não permite.
E onde entram os zumbis nessa história? Pois bem, a explicação para o surgimento dos zumbis segue a linha clássica da maioria dos filmes do gênero; um vírus, que surge de repente, se espalha entre as pessoas, matando-as e fazendo-as retornarem à "vida". Porém, a partir do momento que acordam, há uma diferença, nesse livro: algumas pessoas acordam como zumbis esfomeados, totalmente inconscientes (os zumbis "padrão"). Outras podem acordar "meio mortas", mas conscientes; possuem memória, sabem que estão doentes, sentem o instinto de comer outras pessoas, mas são capazes de se controlar e viver normalmente, como se ainda estivessem vivas. Eu não consegui compreender exatamente o que causa essa diferença. Como se trata de uma série, talvez a explicação esteja em um próximo livro. Ou talvez simplesmente não haja explicação e, novamente, a autora escreveu o que precisava para a história ser desenvolvida do jeito que desejava.
A trama geral é tão simples que não há surpresas e possui muitos clichês. O principal é o famoso garota-encontra-garoto-estranho-e-perigoso-e-se-apaixonam. No caso, Nora, uma humana imune ao vírus (sabe-se lá porquê, mas isso eu realmente acredito que seja um mistério para os próximos volumes) e Bram, um Punk zumbi. Logo que a conhece, Bram já começa a demonstrar afeto por ela; sente ciúmes, pensa nela o tempo todo, procura estar com ela sempre. Mesmo sendo um morto, que apesar de consciente, pode ter uma recaída e querer mordê-la a qualquer instante, Nora também logo se interessa por sua gentileza e pela confiança que transmite a ela. Enfim, mais um romance que simplesmente acontece, não se desenvolve.
Os capítulos são divididos de uma forma diferente, da qual não sou fã: a cada capítulo um dos personagens é o narrador. Quando bem feito, esse tipo de narrativa pode ser interessante. No caso, achei que a autora não soube diversificar a escrita, o que fez parecer que todos os personagens eram muito iguais. Se cada um vai contar sua visão da história, cada um deveria fazê-lo de forma diferente, tendo em vista que são pessoas completamente diferentes.
Ainda assim, a leitura é tranquila (com exceção dos milhares de erros de digitação encontrados no livro, mas falarei sobre isso em outro post) e a trama é bem simples. A personagem principal, Nora, não é como outras tantas por aí; ela não é uma garota bobinha. Também não é uma garota incrível. É uma garota normal. E, impressionantemente, eu acho isso maravilhoso.
Foi uma leitura agradável, mas não sinto curiosidade suficiente para acompanhar o resto da série.

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